Está em estudo um sistema de rádio implantado com a tecnologia 5G e, possivelmente, em estudo em outros sistemas como o DAB, DRM, HD Stereo ou, talvez, à espera de um sistema digital de rádio coreano. Qual desses será possível futuramente no Brasil?
5G Broadcast (FeMBMS)
O 5G Broadcast, também conhecido como FeMBMS (Further evolved Multimedia Broadcast Multicast Service), é uma tecnologia que permite a transmissão de sinais de áudio e vídeo em modo broadcast utilizando a infraestrutura das redes 5G. Diferente do streaming tradicional, o 5G Broadcast não exige uma conexão individual para cada usuário: um único sinal pode atingir milhares de dispositivos simultaneamente, sem consumir dados móveis. No Brasil, a Anatel já realizou testes com 5G Broadcast em parceria com emissoras e operadoras. A tecnologia é vista como promissora porque aproveita as antenas 5G já em expansão. Além disso, o 5G Broadcast pode integrar serviços de rádio, TV e dados em uma única plataforma. No entanto, ainda são necessários ajustes regulatórios e a definição de um modelo de negócios viável para as emissoras.DAB/DAB+
O DAB (Digital Audio Broadcasting) é o padrão europeu de rádio digital, desenvolvido nos anos 1990. A versão mais moderna, o DAB+, utiliza o codec HE-AACv2, oferecendo maior eficiência e qualidade. O DAB+ é adotado em diversos países como Reino Unido, Alemanha, Noruega, Suíça e Austrália. O Brasil chegou a realizar testes com DAB+ em 2012 e 2019, em cidades como Brasília e São Paulo. A tecnologia possui a vantagem de ser madura e com baixo custo de receptores. Porém, o DAB+ foi projetado para as faixas de VHF e L-Band, que no Brasil são parcialmente ocupadas por outros serviços. Além disso, o país já investiu em outras alternativas e o DAB+ nunca foi oficialmente adotado.DRM (Digital Radio Mondiale)
O DRM é um padrão aberto de rádio digital, projetado para substituir as transmissões AM e FM de forma gradual. Existem duas variantes: DRM30 para ondas curtas, médias e longas (abaixo de 30 MHz) e DRM+ para VHF (acima de 30 MHz). O DRM oferece qualidade de áudio comparável ao FM em ondas curtas, além de permitir transmissão de dados. O DRM tem sido testado no Brasil para cobertura em regiões remotas e para serviços de radiodifusão em ondas curtas. A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) já realizou experimentos com DRM na Rádio Nacional. No entanto, a adoção é limitada pela falta de receptores disponíveis e pela concorrência com outras tecnologias.HD Radio (IBOC)
O HD Radio, desenvolvido nos Estados Unidos pela iBiquity (atual Xperi), é um sistema híbrido que transmite sinais digitais na mesma frequência dos canais analógicos FM e AM (in-band on-channel). É adotado nos EUA e em alguns países como México e Filipinas. O HD Radio tem a vantagem de não exigir novas faixas de frequência, pois opera dentro da mesma concessão. No Brasil, a tecnologia foi testada pela Anatel em 2010, mas não houve avanço significativo. O principal obstáculo é o licenciamento dos codecs proprietários (HDC), que encarece os receptores.Sistema Coreano (AT-DMB / T-DMB)
A Coreia do Sul desenvolveu o sistema T-DMB (Terrestrial Digital Multimedia Broadcasting), baseado no padrão DAB, mas com adição de vídeo. Posteriormente, o AT-DMB (Advanced T-DMB) foi criado para melhorar a eficiência. Embora o sistema coreano seja uma referência em rádio digital multimídia, ele não tem grande penetração fora da Coreia. Para o Brasil, seria uma opção caso houvesse interesse em um sistema diferenciado, mas não há estudos oficiais conhecidos sobre sua adoção no país.Análise Comparativa
Todas as tecnologias apresentam prós e contras. O 5G Broadcast é a mais moderna e alinhada com a evolução das telecomunicações, mas depende da consolidação do 5G e de mudanças regulatórias. O DAB+ é o padrão mais difundido globalmente, com receptores baratos, mas o Brasil perdeu o momento de adoção. O DRM é ideal para cobertura nacional em ondas curtas, mas tem penetração limitada. O HD Radio permanece restrito ao mercado americano. O sistema coreano não tem presença significativa.Perspectivas para o Brasil
A tendência é que o Brasil opte por uma solução que aproveite a infraestrutura de telecomunicações já existente. O 5G Broadcast surge como forte candidato, especialmente com o leilão do 5G e a possibilidade de as emissoras utilizarem a rede das operadoras para distribuir conteúdo. No entanto, a definição de um padrão oficial pode levar anos, e o país pode conviver com múltiplos sistemas ou até mesmo não adotar um padrão obrigatório, deixando o mercado definir. Enquanto isso, as rádios brasileiras continuam operando em FM e AM, com algumas migrando para o FM digital opcional (conhecido como "FM HD") sem obrigatoriedade.Perguntas Frequentes (FAQ)
1. O Brasil já decidiu qual sistema de rádio digital adotar?
Não. A Anatel já realizou consultas públicas e testes com diferentes tecnologias, mas não há data definida para a adoção de um padrão obrigatório.
2. Qual a diferença entre DAB+ e DRM?
DAB+ é focado em VHF e L-Band, com ampla adoção na Europa. DRM é mais flexível, operando em AM e FM, e é indicado para cobertura de longa distância.
3. 5G Broadcast precisa de celular 5G?
Sim, para receber o sinal, o dispositivo precisa ser compatível com 5G e suportar o recurso FeMBMS. Nem todos os celulares 5G atuais têm esse suporte.
4. O HD Radio funciona com FM normal?
Sim, o HD Radio transmite o sinal digital na mesma frequência do FM analógico (in-band). É possível ouvir o FM normal e o HD com um receptor compatível.
5. Quando o rádio FM será desligado no Brasil?
Não há previsão. A migração para o rádio digital é voluntária e gradual, sem data para o desligamento do sinal analógico.